sábado, 1 de setembro de 2018

HOMEM ANTIGO

O homem antigo não compreende o que vê e o que sente. O homem antigo caminha pelas ruas e quase sempre se perde. O homem antigo não compreende as pessoas. Está sempre perdido entre palavras e pensamentos esparramados na sua frente, como se fossem uma grande chuva que não para mais. O homem antigo não entende porque as pessoas são assim. Nem todas. Mas o homem antigo não compreende, porque as pessoas se mostram de um jeito mas por dentro são outras, completamente diferentes. O homem antigo não sabe lidar com muitas pessoas que fingem ser pessoas, mas não são. São seres que se aproximam e somem. São pessoas que fazem valer somente a sua verdade, a verdade do outro não vale. O homem antigo não compreende isso. O homem antigo é um ingênuo que ainda escreve poemas. O homem antigo está sempre machucado por dentro. O homem antigo está sempre calado dentro de si mesmo e quando fala não entende as próprias palavras. O homem antigo quer fugir de si mesmo, quer ir embora, quer esconder-se. As pessoas falam, falam, falam, falam, falam, falam, falam, falam e depois se calam. O homem antigo não vai entender nunca. O homem antigo está fora de lugar.

5 comentários:

  1. Ah, Poeta. Gostaria de saber como aliviar a tristeza que lhe aflige. O homem antigo sabe que tem lugar especial. O homem antigo não pode fugir ou esconder-se É importante demais mesmo para pessoas que falam e falam. Mas preste atenção que nem todas somem. algumas ouvem e entendem sua verdade. E não pensam em contradizê-lo. Dê-lhes uma chance.

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  2. O homem antigo está totalmente atualizado.🌹❤

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  3. Ah, homem antigo, como te compreendo, creio que cada dia mais, conforme vivo cada vez mais esse mesmo desencantamento com a maioria dos seres que julguei conhecer fundo. Julguei...A maioria delas...Como diz Cecília: "Eu não tinha esse rosto..." Ando tão distante da vida, de mim, de tudo que só hoje vi esta tua publicação, desculpe.Abraço, Poeta. Urge que se resista. Urge sempre.

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  4. Feliz primavera, Poeta, a melhor possível.

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  5. Mas se o novo não entender a linguagem do Velho, guando ele deixará de ser novo?

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