O homem antigo percorre seus labirintos e não compreende.
O homem antigo não compreende quase nada.
O homem antigo lê uma carta de amor e não sabe o que dizer.
O homem antigo anda consigo mesmo de mãos dadas pelas ruas e pelas praças e quase sempre se perde, sem nunca saber onde está.
O homem antigo ama um amor que não conhece, que faz crescer nele uma planície de girassóis, mas ele não compreende, ele não sabe o que é um girassol.
O homem antigo caminha por seu tempo sem saber onde chegar.
O homem antigo espera uma estrela chegar com uma luz que ele nunca viu, mas deseja, deseja, deseja, e nesse desejo o homem antigo olha seu relógio parado, mas não sabe perguntar a hora para ninguém.
O homem antigo não sabe se expressar.
O homem antigo só espera, o homem antigo esperou a vida inteira, o homem antigo atravessou a vida numa espera que não terminou nunca.
O homem antigo canta uma canção desconhecida, medieval, como se tivesse uma princesa ao seu lado, a colher flores silvestres, a orar nas igrejas, a perdoar-se dos pecados que não cometeu.
O homem antigo tem vontade de chorar e sempre chora, especialmente no final das tardes, quando começa uma noite sempre interminável.
O homem antigo escreve um poema, mas ele não sabe para que serve um poema. O homem antigo acredita na poesia, ele vê a poesia, ele colhe a poesia, ele descobre a poesia, ele aguarda a poesia todo momento, a poesia não lhe sai do pensamento, não sai de si, porque essa poesia grudou na sua pele, como se fosse a pele dele mesmo.
O homem antigo espera, o homem antigo espera o dia amanhecer.
domingo, 15 de janeiro de 2017
quinta-feira, 12 de janeiro de 2017
40 ANOS DE POESIA DE OSVALDO RODRIGUES

40 ANOS DE POESIA DE
OSVALDO RODRIGUES – AINDA
EXISTEM POETAS
Eis uma trajetória poética
das mais dignas, descrita nesta antologia de 40 anos de poesia, “Tudo aí”,
lançamento da Editora Penalux. Osvaldo Rodrigues é um poeta de inteira
dignidade diante da poesia e dos poemas que escreve. No Brasil está muito
difícil encontrar poetas assim, que se deixam sentir, o que parece estar
proibido neste vale de lágrimas que é a poesia brasileira, sem generalizar. Mas
o que está valendo atualmente é ser “poeta” que, no fundo, não sabe o que é
poesia, o que é sentir o mundo. Tem-se que escrever poemas com um fio de prumo,
tijolinho em cima de outro tijolinho, utilizando régua e compasso. Esse “poeta”
tem de ser, antes de tudo, um mecânico, um engenheiro ou qualquer coisa que o
valha. Dizer, por exemplo, que poesia produzida assim “não tem alma” provoca um
risinho cínico e irônico dos tecnocratas da poesia, mesmo que esse “não tem
alma” seja utilizado como força de expressão. Infelizmente, a maior parte da
poesia brasileira hoje é produzida por tecnocratas da palavra. Esses que
enaltecem nomes como verdadeiros magos da poesia e do poema mas que, na
verdade, representam uma nulidade, com muitas experiências formais. Não produzem
poemas poéticos, mas pedras de gelo enaltecidas por uma universidade e um
jornalismo cultural indecentes. A poesia brasileira está cansada desses
endeusamentos inúteis feitos por uma gente que não tem o que fazer da vida. Não
é o caso de Osvaldo Rodrigues que, neste volume, reúne uma obra poética de
grandeza, de poesia verdadeira, de poesia de sentimento, da palavra que explica
essa fotografia que só um poeta de verdade consegue observar descrevendo suas
nuances. Uma poesia humana. Uma poesia escrita por um poeta, não por uma
máquina. Um poeta que não ignora a vida. A poesia do homem pelo homem e para o
homem. Osvaldo Rodrigues é um poeta que acredita que o corpo é uma casa
sagrada, o que está correto. Por isso ele é o poeta que é. Essa trajetória digna
começou no final dos anos 70 e segue até hoje como poemas dos mais
significativos da poesia que se produz neste país, não fossem tantas as
inversões de valores irresponsáveis e inconsequentes de alguns que,
circunstancialmente, ditam as regras no jornalismo e nas universidades. Osvaldo
Rodrigues deixa clara sua vida de poeta em muitos momentos deste livro e o faz
em forma de poema, com poesia. Por exemplo:
o que quer que eu diga
o que quer que eu faça
o que quer que eu escreva
não será suficiente
para dimensionar o meu ser
Não são todos os poetas
capazes de abrir assim sua palavra para situar-se diante dele mesmo. Para isso
é preciso ter certeza do que se deseja na poesia que não é essa farsa hoje
presente em quase tudo. Há de se destacar os belíssimos poemas escritos com
palavras que começam com a mesma letra, do começo ao fim. Essa é, sim, uma
poesia de sentimento. Os tecnocratas se zangam com afirmação assim. Ficam
zangados porque a ordem é escrever poemas que não provoquem nada, que não fazem
pensar, refletir, reler, analisar. São “poemas” que, na verdade não existem. Os
tecnocratas das universidades e do jornalismo literário exigem isso, e os
carneiros obedecem. Mas nem todos são carneiros, preferem ser poetas.
Os poemas que o poeta Osvaldo
Rodrigues chama de “poemas-anúncios” são a prova desta bela poesia, essa poesia
que hoje se esconde dos facínoras da palavra e se mostram somente aos poetas de
verdade.
Constroem-se casas
com dois ou três andares de
solidão
sacadas com vistas para o
infinito
serão aceitas duplicatas de
sonhos
ou moeda cunhadas por
querubins
como forma de pagamento.
O que dizer de um poema
assim? Não há nada a dizer, senão envolver-se no sentimento do poeta diante do
mundo. A trajetória do poeta Osvaldo Rodrigues segue essa trilha desde a
adolescência, seus poemas escritos aos 15 anos. Não é para qualquer um. Só um
poeta verdadeiro tem a trilha para seguir sempre assim, na descoberta da
palavra, da poesia, de si mesmo, sem dar chance nenhuma às facilidades
reinantes neste país infeliz que é o Brasil. Nestes tempos brutais, repleto de
tecnocratas do poema, ter em mãos este volume de 40 anos de poesia do poeta Osvaldo
Rodrigues representa um momento especial e de alento. Nem tudo se perdeu.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2017
POESIA NO ANIVERSÁRIO DE SAMPA
A poesia fará parte das comemorações dos 463 anos de São Paulo. Praticamente nunca fez. Mesmo nas tais "viradas culturais" a poesia nunca participou. Nesse caso é bom, porque as viradas culturais se transformaram em algo que não dá para descrever. Mas desta vez a poesia terá um lugar de destaque nas cerimônias de aniversário da cidade. Será lançada exatamente no dia 25 de janeiro a antologia "tranSPassar", organizada pelo poeta e ensaísta Carlos Felipe Moisés e pelo poeta Victor Del Franco. Uma belíssima edição reunindo poetas de São Paulo escrevendo sobre ruas que têm nome poético ou ligado à história da cidade. Publicação da SESI-Editora-SP. A antologia tem um subtítulo que é "Poética do movimento pelas ruas de São Paulo". O lançamento será no final da tarde do dia 25, na Casa das Rosas, na Paulista, 37. Carlos Felipe Moisés explica que a ideia do livro partiu de uma instigação de Mário de Andrade: "Ruas de meu São Paulo/ onde está o amor vivo?/ onde está?". E ainda: "Caminho pela cidade/ sofrendo com mal-de-amor". E mais: "Meus pés enterrem na rua Aurora/ no Paissandu deixem meu sexo/ na Lopes Chaves a cabeça/ esqueçam". Carlos Felipe afirma que os poetas têm mantido com as ruas de São Paulo um constante intercâmbio que traduz sentimentos desencontrados, ambivalentes. É isso que a antologia mostra. Revela a personalidade inconfundível de cada poeta assim como a multiplicidade de roteiros que a cidade oferece e nisso se incluem orgulho, espanto, revolta ou um singelo enternecimento lírico, conforme observa Carlos Felipe Moisés. Participam da coletânea "tranSPassar" os poetas Álvaro Alves de Faria, Carlos Felipe Moisés, Carlos Machado, Elisa Andrade Buzzo, Fernando Paixão, Glauco Mattoso, Leila Guenther, Luiz Roberto Guedes, Paulo Bomfim, Paulo César Carvalho, Renata Pallottini, Reynaldo Damázio, Rodolfo Witzig Guttilla, Ronaldo Cagiano, Rubens Jardim, Tarso de Mello e Victor Del Franco. Algumas das ruas e locais sobre as quais os poetas escreveram: Rua Brejo Alegre, Ladeira da Memória, Largo da Misericórdia, Viaduto do Chá, Morro do Piolho, Rua Aurora, Campos Elíseos, Vila das Belezas, Rua das Flores, Beco dos Aflitos, Rua da Glória, Rua Lavapés. Cada poeta faz um depoimento sobre a rua escolhida e sua ligação sentimental com o local. Eu escolhi a Rua Brejo Alegre, no Brooklin Paulista, onde passei minha infância. O nome era tão forte, na época, que toda a região passou a ser conhecida como Brejo Alegre. Uma rua com muitas histórias que fazem parte da minha vida. Na época, era a turma do Brooklin e a turma do Brejo Alegre, separadas pela Sociedade Hípica Paulista. Mas o importante nisso tudo é que a poesia fará parte das comemorações do aniversário de São Paulo. A palavra também pode embelezar a cidade e torna-la mais humana.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
O PÁSSARO
"O Pássaro" é o título do poema com que participo de uma antologia de poetas de dezenas de países, "No Resignación", sobre a violência contra a mulher, coletânea organizada pelo poeta peruano-espanhol Alfredo Pérez Alencart, da Universidade de Salamanca, Espanha. São poetas do Brasil, Cuba, Panamá, Estados Unidos, Estônia, Iraque, Peru, Japão, Porto Rico, Itália, França, Chile, Espanha, Colômbia, Grécia, Índia, Inglaterra, Nicarágua, Kosovo, Turquia, Indonésia e muitos outros países. Neste blog há uma resenha sobre "No Resignación" postada recentemente.
OBS: Publico "O Pássaro" em sua versão original, em português.

O PÁSSARO
O pássaro de asas feridas,
ave cortada por dentro
por essa faca afiada do
algoz.
O pássaro não voa
e se deixa esquecer
quando devia viver
sua palavra mais aguda
na escuridão de seu silêncio.
Não devia esse pássaro
ferir-se mais diante
das janelas insanas
de longas asas
e unhas afiadas.
Não.
Não devia esse pássaro
Com seu ferimento
viver nesse cárcere
que cerca sua vida.
Não devia esse pássaro
interromper seu dia,
não devia esse pássaro,
não devia.
A palavra que desvenda
o que agride e machuca,
a costura na boca
com agulhas do ultraje.
Essa mulher,
esse pássaro,
esse passo,
esse poço.
Sonho, mulher, teu espaço,
tuas asas.
Sonho, mulher, teu aceno
na planície mais ampla
com teu gosto de amora
que nasce à mesa
e renasce
na árvore dona de si.
O espelho que se quebra
ao olhar do esquecimento:
que se quebrem todos,
mas que se salve tua face,
no que tens por sentimento.
As mãos tecelãs
tece a tez que te pertence,
a vida que te é devida,
ave ávida por viver,
assim mulher,
assim pássaro.
O lábio de vidro que se
parte,
um objeto,
um destino,
o choro que lava o rosto.
Não pode ser mais assim.
Apagada que está no céu,
a estrela foi feita para
brilhar,
o golpe brutal do verbo e do
gesto
não cabe no recinto da vida.
Álvaro Alves de Faria
Brasil
quarta-feira, 28 de dezembro de 2016
AQUELE HOMEM
Este poema faz parte do livro "Três Sentimentos em Idanha e outros Poemas Portugueses", publicado em Portugal pela Editora Temas Originais, de Coimbra, em 2011. Agora será incluído no meu livro "O Uso do Punhal", já publicado no Brasil, em 2013, pela editora Escrituras-SP, e que está sendo traduzido na Espanha pela poeta Montserrat Villar González.

AQUELE HOMEM
Sou aquele homem que não
voltou,
que saiu de casa ao amanhecer
e se perdeu para sempre.
Sou aquele homem da
fotografia na parede
da casa fechada por dentro.
Sou aquele homem que inventou
a tarde,
mas não viu anoitecer.
Sou aquele homem que se
perdeu sem saber.
Aquele que não soube nunca,
sou aquele que não soube.
Sou aquele homem que
desapareceu,
aquele que acreditou,
e ao se ausentar de si mesmo
sentiu o vazio absoluto de
todas as coisas.
Sou aquele homem que se foi
e quando pensou em voltar
não tinha mais tempo,
era tarde demais.
Sou aquele homem que se
desfez
depois de enlouquecer
e enlouquecido
tentou refazer o seu destino.
Sou aquele homem que engoliu
um rio
e se afogou adormecido.
Aquele que falou sozinho
diante do espelho
se vendo do avesso.
Sou aquele homem que falava
com as pedras
palavras desesperadas
que saltavam da boca
como gafanhotos doentes.
Aquele homem que conversava
com os santos
numa igreja sem portas
e que dizia silêncios
em sílabas de gesso.
Sou aquele homem
que enfiou um punhal no
coração
como um poeta romântico do
século 18.
Sou aquele homem quase lírico
que chamava os pássaros
para uma ceia de sementes.
Aquele homem que rezava
com os anjos expulsos do céu,
sem saber que eu estava
expulso de mim.
Sou aquele homem que amou 30
mulheres
e matou-se por amor 29 vezes.
Sou aquele homem que ao jogar
xadrez
fugiu com a Rainha
para um castelo medieval.
Aquele que diante de Deus
pediu para ser destruído,
mas como castigo deixou-me
viver mais.
Sou aquele homem que amou
mulheres de porcelana,
com sexo de porcelana,
boca de porcelana,
beijo de porcelana,
língua de porcelana.
Sou aquele homem de porcelana
que se quebra como uma xícara
que cai da mesa.
Sou aquele homem que saiu para
dar uma volta
e esqueceu de regressar.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
“NO RESIGNACIÓN” - VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
(Minha resenha publicada em jornal de Salamanca)
sábado, 30 de julho de 2016
OS PEQUENOS POEMAS DO PÁSSARO
Faz tempo que nada escrevo neste espaço de meu blog. Não tenho a disciplina necessária. Tinha quando o blog fazia parte do portal da Rádio Jovem Pan, de onde me afastei. Não dá para trabalhar com alguns que estão lá e com alguns carreiristas coadjuvantes, gente sem caráter. Não são jornalistas de verdade. Tive de me afastar porque meu perfil não cabe mesmo na nova programação. Mas o que machuca, e machuca mesmo, é a decepção com algumas pessoas. O que essa gente é capaz de fazer para se garantir chega a ser inacreditável. Gente sem escrúpulo. Fiquei na JP 40 anos. Mas voltando ao que interessa: Quando meu blog estava no portal da JP eu tinha alguma disciplina, o que acontecia, também, com os vídeos que eu gravava e com a história em quadrinhos do Pintim. Tentei este blog independente, mas é difícil. Tive alguns convites para levar o blog, mas não aceitei. De forma que escrevo aqui de vez em quando. Vou tentar ser mais assíduo. Quando minha filha montou este blog para mim, o Blog do Poeta, o mesmo nome que tinha na JP, eu lhe perguntei como poderia tornar o novo blog conhecido como era na rádio. Ela então abriu para mim uma conta no Twitter, explicando que eu poderia utilizar o Twitter com esse objetivo. Bastava colocar o assunto e escrever: "Ler no Blog do Poeta". Nunca tinha experimentado do Twitter. Mas comecei. Tudo tem de ser escrito em até 140 toques. E assim fui seguindo. Acabei gostando porque posso comentar vários assuntos como jornalista profissional que ainda sou, ao contrário de alguns idiotas que têm esse título mas nem sabem ao certo como é e o que é a profissão, além das grandes dificuldades que têm para escrever o Português correto. Acabei gostando e fui conquistando os chamados seguidores. Mas numa noite ocorreu algo inesperado. Escrevi um pequeno poema com até 140 toques e publiquei no Twitter. Muita gente curtiu. E comecei a fazer isso todos os dias. Agora se transformou numa experiência que vai virar livro que já tem título: "Pequenos poemas do pássaro", São poemas profundamente intimistas, de mim para mim, de mim comigo mesmo, eu diante de mim, minhas contradições e situações paradoxais. Tudo em até 140 toques, com a exigência da rima. Todos os dias, menos sábado, coloco um poema perto das 19,30 hs. E estou gostando dessa experiência. Tornou-se uma coisa nova na minha poesia. Deixo para os meus 19 leitores alguns exemplos desses pequenos poemas que publico todos os dias no Twitter, assinado "Poeta Álvaro Faria". Estou gostando. Só preciso me disciplinar em relação ao meu blog. Vou tentar mais uma vez.
*****
Quero viver
minha liberdade
sem nada por perto
sem começo
nem fim
quero me ver livre
de tudo
mas não me livro
de mim.
*****
Escrever poesia
é abrir a ferida
não mais me engano
partir para o nada
se perder de vez
no próprio dano
é cavar a vida
em ato insano.
*****
A poesia
me enlouqueceu
aos poucos
sem que
que percebesse
não me vi
nunca mais
e hoje vivo
como senão vivesse.
*****
Estou comigo sozinho
como se não me fosse
desfeito em mim
aquele que não existe
sou eu em mim mesmo
o que de mim se desiste
*****
O poema
diz respeito
a mim
somente
o poema
que diz respeito
a mim
só mente.
*****
Quero viver
minha liberdade
sem nada por perto
sem começo
nem fim
quero me ver livre
de tudo
mas não me livro
de mim.
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Escrever poesia
é abrir a ferida
não mais me engano
partir para o nada
se perder de vez
no próprio dano
é cavar a vida
em ato insano.
*****
A poesia
me enlouqueceu
aos poucos
sem que
que percebesse
não me vi
nunca mais
e hoje vivo
como senão vivesse.
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Estou comigo sozinho
como se não me fosse
desfeito em mim
aquele que não existe
sou eu em mim mesmo
o que de mim se desiste
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O poema
diz respeito
a mim
somente
o poema
que diz respeito
a mim
só mente.
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